Azincon: têxtil de Vila do Conde pede insolvência após beneficiar de lay off e deixa 133 profissionais no desemprego

Azincon: têxtil de Vila do Conde pede insolvência após beneficiar de lay off e deixa 133 profissionais no desemprego

21 de Agosto, 2020 0

A administração da Azincon, empresa têxtil de Vila do Conde, pediu insolvência e deixou 133 trabalhadores e trabalhadoras no desemprego, a quem ainda não foram pagos os salários do mês de julho. A empresa, conhecida como a “Fábrica das Camisas”, invoca um prejuízo de mais de 250 mil euros devido às consequências da pandemia, argumentando com a paragem no início da crise sanitária e com a quebra de encomendas do seu único cliente, o grupo Inditex. Esta situação ocorre depois da empresa ter recorrido ao “lay off simplificado”, beneficiando do apoio público para assegurar a manutenção dos postos de trabalho. Segundo o Jornal de Notícias, a 26 de março as trabalhadoras receberam a informação que ficariam no regime de lay off durante todo o mês seguinte. O regresso ao trabalho foi sendo feito gradualmente e, em meados de julho, após a existência de casos confirmados de Covid-19 na fábrica, várias trabalhadoras foram mandadas para casa até 17 de agosto, naquilo que classificaram como “férias forçadas”. Depois desta data, começaram a receber as cartas a comunicar o despedimento. As funcionárias, que nem receberam ainda da empresa a documentação para aceder ao subsídio de desemprego, temem agora que a administração retire as máquinas e todos os bens da fábrica.

Segundo Madalena Sá, do Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria e Comércio de Vestuário e Artigos Têxteis, perante o contexto na empresa, teve lugar uma reunião no Ministério do Trabalho durante o passado mês de julho, em que a administração negou a gravidade da situação. Agora, depois das férias que impôs ao pessoal, a administração simplesmente comunicou o despedimento e avançou para a insolvência. Várias trabalhadoras testemunham a sua surpresa e revolta, dizendo que havia matéria prima e trabalho que permitia continuar a laboração. Relatam ainda a “falta de respeito” da administração, que, depois de vários anos de trabalho na empresa, não deu qualquer justificação, “nem uma palavra”.

O receio é agora que a empresa esteja a “a esvaziar a fábrica”, o que pode estar a acontecer à revelia do tribunal, dado que o administrador de insolvência que foi designado se encontra de férias. A administração da empresa terá declarado como património apenas “cinco máquinas e uma carrinha”, alegando que o restante material “é alugado”. Em declarações ao Jornal de Notícias, uma das funcionárias não tem dúvidas de que os bens declarados não correspondem à realidade: “Somos 133 operários, alguém acredita que isto é possível?”. Esta lista, segundo esta trabalhadora, indica apenas “máquinas que estavam paradas há mais de dez anos” e não inclui a prensa industrial comprada recentemente, as dezenas de máquinas de costura ou a carrinha que fazia o transporte de operários todos os dias para o trabalho.

O Bloco de Esquerda já questionou o Governo sobre a situação na Azincon, em que solicita resposta urgente à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, quanto à busca de soluções para manter os postos de trabalho e assegurar de imediato a proteção destes trabalhadores e destas trabalhadoras.

Ver também notícia no Esquerda.net.