Visabeira recusa teletrabalho sob chantagem e obriga trabalhadores a assinar declaração

Visabeira recusa teletrabalho sob chantagem e obriga trabalhadores a assinar declaração

17 de Novembro, 2020 0

A administração da Visabeira está a pressionar trabalhadores dos escritórios da sede, no Palácio do Gelo, em Viseu, a assinar uma declaração que supostamente os responsabiliza por não passarem a regime de teletrabalho. A declaração é apresentada aos trabalhadores num clima de chantagem, havendo receio de represálias e assédio moral em caso de recusa. Segundo divulgado pelo site Interior do Avesso, as chefias começaram a exercer pressão para manter o trabalho presencial quando se ficou a saber, ainda durante a semana passada, que Viseu passaria a integrar a lista de concelhos em risco. Apesar das regras determinarem o teletrabalho em todas as situações em que as funções o permitem, foi dito aos funcionários que “agradeciam” que continuassem a trabalhar nos escritórios – não por falta de meios técnicos, mas para “gerirem melhor o trabalho”.

A publicação no Interior do Avesso garante que, no primeiro dia das novas regras, esta segunda-feira, dia 16 de novembro, a maioria apresentou-se para trabalho presencial por receio das consequências: de um gabinete com mais de 100 pessoas, apenas 10 ficaram em teletrabalho, dado temerem represálias. A quem compareceu nas instalações para trabalho presencial, foi então entregue a referida declaração, em que o trabalhador supostamente assume a responsabilidade pela decisão do trabalho presencial. Segundo uma fonte citada pelo Interior do Avesso, a chantagem das chefias é clara: “as pessoas que não obedecem não são despedidas, são colocadas em funções diferentes, colocam na «prateleira» e fazem pressão psicológica até a pessoa se demitir. Eles não querem despedir ninguém para não ficarem mal vistos”.

Recordamos que, logo no início da crise sanitária, conforme aqui divulgámos, também a Visabeira recusou a passagem ao regime de teletrabalho nos escritórios da sede do grupo.