Carristur despede precários intermediados pela Talenter
Cerca de 30 pessoas foram despedidas na CarrisTur, empresa detida pela Carris e centrada na atividade turística. O Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos (STRUP) alertou para o despedimento de trabalhadores com contratos precários na empresa. As denúncias que nos chegaram indicam que esse despedimento envolveu pelo menos 30 trabalhadores e trabalhadoras que se encontravam intermediados pela Talenter, que receberam desta empresa a comunicação da decisão por email no dia 19 de Março, alegando extinção do posto de trabalho, mas com carta datada de 17 de Fevereiro. A administração da empresa de transportes públicos da capital, tutelada pela Câmara Municipal de Lisboa, limita-se a dizer que, devido à redução da solicitação no presente contexto, “teve de suspender os contratos de prestação de serviços de suporte à sua atividade” e que “os trabalhadores em questão não têm qualquer vínculo com a empresa”.
Os relatos que nos chegam asseguram também que muitos dos contratos tinham uma base horária de 20 horas semanais, mas os trabalhadores, alguns com mais de 3 anos na CarrisTour, sempre intermediados pela Talenter, eram obrigados a fazer turnos duplos e até triplos, que eram pagos como “prémio de desempenho”.
As denúncias que recebemos falam ainda de outras irregularidades cometidas ao longo do tempo, como comissões que foram diminuindo com o passar do tempo, apesar do aumento da procura do serviço e do assédio moral de que os trabalhadores eram alvo. Perante exigências básicas dos trabalhadores, nomeadamente reclamando mais condições para desempenhar as suas funções (um local para fazer refeições, trocar uniformes, etc), a resposta era a ameaça de despedimento. Um trabalhador refere que lhe foi dito claramente: “se não gostas, vai-te embora, que há outro que o faça por menos ainda”.
Finalmente, as denúncias referem que a empresa não garante o pagamento integral das horas e comissões já em Abril, o que, aliado ao valor efetivamente declarado pela empresa à Segurança Social, lhes conferirá subsídios de desemprego muito baixos e os deixará ainda mais vulneráveis.
