Porto de Lisboa: lock-out patronal para consumar despedimento de 134 estivadores

Porto de Lisboa: lock-out patronal para consumar despedimento de 134 estivadores

25 de Março, 2020 0

A Associação-Empresa de Trabalho Portuário de Lisboa é detida pelas empresas de estiva que operam no porto de Lisboa. Essas empresas levaram propositadamente a A-ETPL a uma situação de dificuldade financeira, para depois alegarem a necessidade de uma insolvência e despedirem 134 trabalhadores.

O Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL) continua a denunciar as manobras e a chantagem patronal, com o objetivo de substituir esses trabalhadores com direitos por outros (e nalguns casos, aliciando os mesmos) mas com vínculos precários, contratados por outra empresa criada pelos mesmos proprietários da A-ETPL. Com o argumento de que estes trabalhadores já não o são – o que é falso – a A-ETPL está a impedi-los de entrar nas instalações para cumprirem os serviços mínimos decretados pelo Governo.

Durante os 28 dias da greve que antecedeu a situação de lock-out que hoje se vive, os trabalhadores do Porto de Lisboa cumpriram sempre, escrupulosamente, todos os serviços mínimos decretados pelo Governo, garantindo nomeadamente todos os fornecimentos para as regiões autónomas.

O Governo decretou entretanto a requisição civil. Mas as empresas insistem na mesma estratégia. À data desta publicação, completa-se o 10º dia deste lockout irresponsável que continua a impedir os estivadores da A-ETPL de realizarem o trabalho que o Governo definiu nos serviços essenciais. Os patrões apostaram assim em despedir estivadores num tempo em que o seu trabalho é mais necessário que nunca, designadamente para assegurar a cadeia logística em contexto de pandemia.