Risto Rail: empresa que gere bares dos comboios da CP despede precários depois de entrar em lay off

Risto Rail: empresa que gere bares dos comboios da CP despede precários depois de entrar em lay off

3 de Junho, 2020 0

A Risto Rail, empresa pertencente ao grupo LSG, segundo denúncias que recebemos, despediu perto de uma dezena de trabalhadores precários, depois de ter acionado o mecanismo de lay off. Os trabalhadores encontravam-se contratados a termo certo, com o prazo a terminar durante o mês de abril. Todos os trabalhadores despedidos eram assistentes de bordo nos comboios de longo curso da CP – Alfa Pendular e Intercidades.

A empresa argumenta que a CP suspendeu todos os serviços a bordo dos comboios de longo curso, na sequência da diminuição de atividade em resultado das medidas de contenção. Esta decisão foi tomada para evitar o contágio e, por isso, todos os trabalhadores ficaram em casa a partir de dia 19 de março. Antes do final desse mesmo mês, os trabalhadores receberam um email do seu chefe de pessoal a informar que os contratos não seriam renovados, sendo informados de que teriam de se dirigir a Santa Apolónia, para tratar da documentação para requerer o subsídio de desemprego. Alguns dias mais tarde receberam um novo email, desta vez informal, informando que, a partir do dia 1 de abril, a empresa entraria em lay off e os trabalhadores que receberam a notificação de despedimento também estavam incluídos nessa lista. Na prática, foram despedidos cerca de um mês depois da empresa recorrer ao novo “lay off simplificado” – que também lhes foi aplicado, apesar da administração da empresa ter já decidido e até comunicado que não iria renovar os contratos.

À semelhança do que aconteceu em várias empresas ao longo das últimas semanas, a Risto Rail despediu trabalhadores a quem impôs vínculos precários, ao mesmo tempo que recorreu aos apoios públicos, supostamente destinados a proteger o emprego no contexto de crise sanitária. Neste caso, é mesmo bastante evidente como o apoio não se destinou a manter o emprego, mas simplesmente a transferir dinheiro público para subsidiar o pagamento de ordenados, tendo ainda o efeito de cortar o valor do último salário aos trabalhadores que já sabiam que seriam despedidos.

Segundo os relatos, os trabalhadores, entretanto despedidos, queixam-se agora do facto de a empresa ainda não ter pago o que lhes é devido na sequência do despedimento. As denúncias relatam que receberam apenas pequenas quantias nas suas contas bancárias, que nada têm a ver com o fecho das contas.

[Actualização (04/06/2020): recebemos relatos de que a empresa procedeu entretanto à regularização do pagamento dos valores devidos aos trabalhadores despedidos]

Recorde-se que, no início do ano, ainda antes da crise sanitária se instalar, os trabalhadores da Risto Rail realizaram uma greve, com grande adesão, em resposta à recusa da empresa em proceder às atualizações salariais.

A Risto Rail pertence à LSG Group, uma multinacional do catering em transportes aéreo e ferroviário e no retalho de conveniência, que gere os bares dos comboios de longo curso da CP. A LSG, no seu site, divulga ter atingido lucros anuais de 3,2 mil milhões de euros e empregar mais de 35 mil trabalhadores e trabalhadoras.