Molaflex impõe horário completo em lay off e contrata de forma mais precária trabalhadores que despediu em março

Molaflex impõe horário completo em lay off e contrata de forma mais precária trabalhadores que despediu em março

9 de Junho, 2020 0

A administração da Molaflex, empresa conhecida pelo fabrico de colchões, com sede em Espargo, Santa Maria da Feira, segundo denúncias que recebemos, está a impor aos trabalhadores e trabalhadoras o cumprimento de horário completo, apesar de ter recorrido ao regime de lay off. Assim, tem vindo a reduzir o salário de uma parte dos funcionários, que continuam a trabalhar 40 horas. Segundo os relatos, a parte dos trabalhadores encontra-se em lay off por suspensão do contrato de trabalho e outra parte em redução de horário. No entanto, apesar do recurso a este mecanismo com apoio do Estado, estão a ser impostos horários de 40 horas semanais, mantendo o corte salarial de um terço do vencimento.

Esta é mais uma demonstração da irresponsabilidade patronal na Molaflex. Conforme aqui divulgámos, com o inicio da crise sanitária, a administração da Molaflex tinha já despedido 150 trabalhadores, ainda em março, antes de recorrer ao mecanismo “lay off simplificado”.

Mas as irregularidades não ficam por aqui. As denúncias relatam ainda que a administração da empresa voltou a contratar os trabalhadores despedidos em março, por intermédio de empresa de trabalho temporário, com a particularidade de os manter ainda mais precários – exige agora que os mesmos não façam o registo biométrico, procurando eliminar as evidências da sua vinculação à empresa e numa clara desigualdade de tratamento. Esta situação foi também já divulgada pela organização distrital de Aveiro do Bloco de Esquerda.

Têm sido várias as situações de aproveitamento ilícito de verbas públicas, que supostamente deveriam proteger o emprego, mas são simplesmente canalizadas para aumentar os lucros das empresas. A Autoridade para as Condições do Trabalho deve atuar, quer fiscalizando a conduta da empresa no recurso aos apoios públicos, quer no respeito pelos direitos laborais ou no recurso abusivo aos vínculos precários.