Scotturb despede precários e não cumpre as regras de proteção a utentes e trabalhadores

Scotturb despede precários e não cumpre as regras de proteção a utentes e trabalhadores

26 de Junho, 2020 0

A administração da Scotturb, empresa que presta serviço de transporte público em Cascais, Oeiras e Sintra, segundo denúncias que recebemos, ocultou casos de doença Covid-19 entre motoristas, existindo a possibilidade de estes positivos terem estado em contacto com outros trabalhadores – nomeadamente na carrinha de transporte do pessoal, onde o contágio de dois casos terá ocorrido. A situação foi já denunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), que refere que um profissional terá contraído a doença na sequência da realização do serviço da carreira de circulação de Cascais, em que a lotação do autocarro ultrapassava os limites definidos pelas autoridades de saúde. O sindicato denuncia ainda que o contrato do motorista infectado não foi renovado. Outras denúncias que nos chegaram relatam que a Scotturb está a despedir dezenas de trabalhadores precários, com contratos a prazo.

Além disso, ao contrário do que é prática no setor, a empresa não está a cumprir a prometida rotatividade dos trabalhadores abrangidos pelo regime de lay off, penalizando alguns grupos de profissionais de forma selectiva. O  STRUP denunciou esta situação, através de comunicado, referindo as injustiças no lay off e acusando a empresa de prosseguir “a sua estratégia de discriminação dos trabalhadores associados do STRUP”. Como tem sido evidente ao longo das últimas semanas, com uma forte pressão nos transportes públicos na grande Lisboa, sem que as operadoras respondam com o devido ajustamento da oferta, o sindicato denuncia também a constante sobrelotação das carreiras operadas pela Scotturb – esta insuficiência na oferta, quando a empresa recorre ainda a apoios públicos para reduzir a atividade e os salários, prejudica utentes e trabalhadores. O sindicato denuncia ainda a insuficiente disponibilização de equipamentos de proteção aos motoristas e a falta de medidas rigorosas de higienização das viaturas.

A empresa já tem um historial de desrespeito pelos trabalhadores, que já se encontravam em luta pelos seus direitos antes da crise sanitária. Mais concretamente, estava já marcada para o dia 17 de Março uma greve para lutar por melhores salários e condições de trabalho, que seria entretanto cancelada devido à evolução da pandemia.