HiFly: nova vaga de despedimentos, imposição de trabalho deslocado na Austrália e despromoções irregulares

HiFly: nova vaga de despedimentos, imposição de trabalho deslocado na Austrália e despromoções irregulares

30 de Junho, 2020 0

A administração da HiFly iniciou uma nova vaga de despedimentos, que, segundo denúncias que recebemos, afectará cerca de 60 tripulantes de cabine e está a ser concretizada até ao final deste mês de junho. Estes funcionários, com contratos a termo, estiveram abrangidos pelo regime de lay off que foi acionado pela empresa no início de maio. A administração da empresa tinha já despedido cerca de 350 tripulantes com vínculos precários logo no início da crise sanitária, ainda durante o passado mês de março, antes de recorrer ao “lay off simplificado”. Depois de beneficiar do apoio público, supostamente pensado para proteger o emprego, a administração da HiFly avança agora para o despedimento da larga maioria desses e dessas profissionais.

Além dos despedimentos, as denúncias relatam ainda outros abusos e o agravamento da clima de intimidação que se vive na HiFly. Dezenas de tripulantes estão a ser colocados, contra a sua vontade, por um período entre 4 e 5 meses, na operação que a empresa desenvolve na Austrália, na sequência de uma ampliação do serviço requerido pelo cliente naquele país e da respetiva utilização de mais um avião. A participação nesta operação era habitualmente assegurada por um processo em que os tripulantes eram selecionados no contexto de candidaturas voluntárias, dado implicar um longo período sem ser possível regressar a território nacional. Esta colocação está agora a ser imposta, o que está a gerar, segundo as denúncias, reacções de indignação e resistência. Os relatos descrevem que a administração está a impor um clima de medo para forçar uma situação que tem fortes implicações na vida pessoal de dezenas de trabalhadores – as chefias do pessoal de cabine comunicam aos tripulantes que não podem recusar, numa clara ameaça de perder o seu trabalho. Acrescente-se que, segundo os relatos, para o desempenho destas funções na Austrália, os tripulantes recebem apenas uma ajuda de custo que está estabelecida para as situações de pernoita em território internacional, de 24 horas, não reconhecendo a especial exigência e nível de disponibilidade que representa a execução deste trabalho.

Segundo os relatos, a empresa impôs ainda, de forma totalmente arbitrária, a despromoção de 18 chefes de cabine, que passaram para uma categoria profissional inferior (assistente), o que representa uma perda salarial de cerca de 220 euros mensais. As denúncias referem que esta despromoção é possível porque a administração da empresa impõe uma situação de permanente precariedade, em que os contratos de trabalho são celebrados na categoria de assistente/comissário de bordo, sendo o salário adicional que corresponde à função de chefe de cabine assegurado por uma componente de subsídio pela função.

A HiFly é uma companhia aérea portuguesa especializada no fretamento de aviões comerciais a outras empresas de aviação, sendo a terceira maior empresa portuguesa do setor.