Câmara Municipal de Gaia deixa 80 profissionais precários das piscinas municipais sem trabalho e sem rendimentos

Câmara Municipal de Gaia deixa 80 profissionais precários das piscinas municipais sem trabalho e sem rendimentos

3 de Agosto, 2020 0

Cerca de 80 profissionais das piscinas municipais de Gaia, todos a trabalhar a falsos recibos verdes, estão, segundo denúncias que recebemos, sem trabalho e sem rendimentos desde o início da pandemia. São professores de natação, também nadadores salvadores e fisioterapeutas, formalmente com vínculo com uma empresa intermediária, a Nível Activo, mas que na realidade asseguram os serviços das piscinas municipais da autarquia. Quando a situação sanitária levou às primeiras medidas de contenção, foram simplesmente informados de que as piscinas iam encerrar a 12 de março e de que não continuariam a trabalhar. A empresa enviou email aos trabalhadores, dizendo apenas que seria feito o pagamento do salário pelo trabalho realizado até 11 de março. Estes profissionais, apesar de há anos assegurarem o funcionamento e os serviços à população nestas infraestruturas municipais, não tiveram qualquer palavra por parte da autarquia. Os relatos falam em revolta e em situações dramáticas entre os profissionais e as suas famílias, repentinamente sem rendimentos e sem perspetivas.

As denúncias descrevem que, perante a situação, foram de imediato tentados contactos com a autarquia por alguns trabalhadoress, junto de vários responsáveis e membros do executivo do município, sem receber qualquer resposta inicialmente. Alguns dias mais tarde, perante a perceção de que os trabalhadores se estavam a organizar para exigir os seus direitos, receando a denúncia da situação, houve um contacto com o chefe de gabinete do Presidente da Câmara, que garantiu que seriam imediatamente pagos os salários relativos a todo o mês de março. Foi apenas este o compromisso por parte do Presidente, já com pleno conhecimento da situação vivdas pelos profissionais das piscinas municipais. No entanto, ainda assim, essa promessa não foi cumprida de imediato: apenas durante o mês de maio, depois de várias insistências, foi pago o salário integral de março. Depois disso, estes trabalhadores continuaram a insistir, diretamente com o Presidente, para que seja encontrada uma solução que permita a continuidade dos seus rendimentos – no entanto, não voltaram a obter qualquer resposta do Presidente da Câmara ou do seu gabinete.

A situação é agora ainda mais incerta para estes trabalhadores, uma vez que, segundo os relatos, o contrato entre a empresa e a Câmara Municipal de Gaia terminou no final de março e não será renovado. Assim, é certo que não será esta empresa a fazer a intermediação quando for retomado o funcionamento das piscinas e nada é dito a estes trabalhadores quanto ao seu futuro.

Num momento crítico, a Câmara Municipal de Gaia seguiu as piores práticas de abuso patronal, simplesmente descartando trabalhadores a quem impôs uma condição de precariedade e sem direitos. De um dia para o outro, dezenas de profissionais, que prestam funções permanentes e asseguram há vários anos um serviço público à população, ficaram simplesmente sem trabalho e sem qualquer resposta por parte da autarquia. O executivo da Câmara Municipal de Gaia, em particular o seu Presidente, têm de assumir as suas responsabilidades de imediato. Deixados há quatro meses sem rendimento, em muitos casos a viver situações desesperadas, estes trabalhadores e estas trabalhadoras não podem esperar mais.