Turiscar recruta através de empresa intermediária enquanto mantém trabalhadores em lay off

Turiscar recruta através de empresa intermediária enquanto mantém trabalhadores em lay off

7 de Agosto, 2020 0

A administração da Turiscar, empresa de aluguer de automóveis, segundo denúncias que recebemos, depois de colocar cerca de 70 funcionários em lay off, está a recorrer a trabalhadores através de uma empresa intermediária para as mesmas funções. Segundo os relatos, estes funcionários passaram para o regime de lay off em abril, a larga maioria dos quais com suspensão do contrato de trabalho (apenas cerca de 10 foram colocados no regime de redução de horário), sofrendo os respetivos cortes salariais. No entanto, apesar de continuar a receber o apoio público, a administração da Turiscar está simultaneamente a recorrer a trabalhadores colocados pela empresa Tagus Wash&Services – as denúncias relatam que serão atualmente cerca de 40 trabalhadores externos, alguns a cumprir horários completos, em clara substituição das funções antes desempenhadas pelos funcionários da empresa. As denúncias asseguram que, com esta estratégia, que está a ser aplicada nos vários postos da Turiscar espalhados pelo país, a administração da empresa está a poupar em salários à custa dos rendimentos de dezenas de trabalhadores.

Ou seja, apesar de recorrer ao apoio público para manter postos de trabalho em período de quebra de atividade, na verdade as necessidades de trabalho mantêm-se e são substituídas por trabalhadores em outsourcing. Com esta conduta, a administração da Turiscar está a servir-se dos apoios do Estado para uma gestão apenas destinada a maximizar o lucro num momento crítico – à custa do dinheiro público, dos trabalhadores em lay off (que têm de suportar os fortes cortes nos salários) e ainda dos trabalhadores da empresa intermediária (com baixos salários e sem direitos).

A Turiscar, dedicada ao aluguer de automóveis e especializada no negócio com seguradoras, gestoras de frota e assistências em viagem, tem 24 estações em vários pontos do país e cerca de uma centena de funcionários. Iniciou atividade há cerca de três décadas, afirmando-se enquanto empresa familiar portuguesa do setor. Em 2018, foi comprada pela multinacional norte-americana Avis Budget Group.