Agência de viagens do El Corte Inglés recorre a lay off mas obriga funcionários a trabalhar

Agência de viagens do El Corte Inglés recorre a lay off mas obriga funcionários a trabalhar

7 de Dezembro, 2020 0

A administração da empresa Viagens El Corte Inglés, segundo denúncias que recebemos, recorreu ao apoio do tipo lay off para 80% dos seus trabalhadores, mas está a obrigar estes funcionários a continuarem a trabalhar. A agência de viagens do grupo El Corte Inglés, com mais de 20 lojas em vários pontos do país, está a beneficiar, desde o passado mês de outubro, do Apoio Extraordinário à Retoma Progressiva da Atividade Económica, que sucedeu ao “lay off simplificado”, com redução total do horário de trabalho para cerca de 150 trabalhadores. No entanto, as denúncias garantem que os funcionários, que têm uma redução do seu salário por estarem abrangidos por esta medida, são coagidos a continuarem a desempenhar o seu trabalho diariamente, em casa ou até mesmo no seu local de trabalho. Ou seja, a empresa beneficia do apoio público para a manutenção do emprego, em que a Segurança Social paga integralmente a remuneração dos funcionários (que apenas recebem 88% do salário), mas obriga os trabalhadores a cumprir tarefas e horários completos.

Segundo as denúncias, numa fase inicial, as chefias começaram por pedir esporadicamente aos trabalhadores a realização de algum trabalho específico. Progressivamente, as ordens foram-se tornando mais frequentes, até se instituir a obrigação permanente de cumprir o trabalho como se não estivesse em vigor a medida do tipo lay off. Além de obrigar os funcionários a continuarem a trabalhar normalmente, há também diversas formações, cursos e reuniões de comparência obrigatória, sem margem para justificar a ausência.

As denúncias acrescentam ainda que também os responsáveis de loja, que têm apenas uma redução parcial do horário, correspondente a 70% do período normal de trabalho, são também forçados a trabalhar normalmente, cumprindo horário completo.

Os relatos descrevem um clima de receio entre os e as profissionais, crescendo também a indignação perante a chantagem e o desprezo que a administração demonstra por trabalhadores que, em muitos casos, estão há mais 10 ou até 15 anos na empresa. Numa atitude reveladora, as denúncias apontam que foi o próprio diretor dos departamento de recursos humanos a dizer aos trabalhadores que os horários remetidos à Segurança Social são apenas uma formalidade, indicando que todos devem estar permanentemente disponíveis para trabalhar de forma normal.

Recorde-se que, logo no início da crise sanitária, o grupo El Corte Inglés seguiu um padrão semelhante a muitas outras grandes empresas, requerendo o apoio público para a manutenção dos postos de trabalho, através do acesso ao “lay off simplificado”, mas simultaneamente despedindo trabalhadores com vínculos precários. Estes despedimentos ocorreram em diferentes departamentos e empresas do grupo, incluindo na Viagens El Corte Inglés.

O El Corte Inglés, conhecido grupo retalhista espanhol, presente em Portugal desde 2001, obteve em 2019 os melhores resultados da última década, com o lucro a atingir os 310 milhões de euros.